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HISTÓRIA

O nome e a cidade de Santo Ângelo, têm origens na Missão Jesuítica de Santo Ângelo Custódio, ou como consta em alguns documentos espanhóis da época, Sant’Angel de La Guardia e ainda SantÁngel Custódio. Segundo os dogmas e a tradição da Igreja Católica (herdados do judaísmo), existe na corte celestial uma infinidade de espíritos puros divididos em várias hierarquias, entre eles os anjos guardiães, que tem como missão a proteção espiritual das crianças que recebem o batismo, bem como a de povos inteiros.
A redução de Santo Ângelo foi consagrada ao Anjo Custódio das Missões ( aquele que tem a custódia, a guarda) o protetor de todos os povos missioneiros. A estatuária deste Povo era representada em sua maioria com asas, uma alusão ao protetor, presente em todas as imagens.
No Brasil, o dia 2 de outubro é consagrado a todos os anjos da guarda, e em Santo Ângelo, especialmente, este dia é dedicado ao padroeiro da cidade.

Redução de Santo Ângelo Custódio

Esta Missão, foi fundada em 12 de agosto de 1706, entre os rios Ijuí e Ijuizinho, no atual município de Entre-Ijuís. Porém o local escolhido acabou se revelando sem condições para a necessária expansão, devido principalmente à proximidade de dois grandes rios. No verão de 1707, a redução foi transferida mais para o norte, na colina onde mais tarde ressurgiria a cidade de Santo Ângelo. Seu fundador foi o padre jesuíta Diogo Haze (1647-1725), que cumpriu com a especial missão de organizar os primeiros passos daquele que foi o último dos “Sete Povos da Banda Oriental do Rio Uruguai” a ser fundado.
Santo Ângelo Custódio tornou-se um dos Povos mais ricos de toda a região missioneira. Dedicava-se ao cultivo e industrialização da erva-mate e algodão, sendo o maior exportador destes produtos. Tinha também em quantidades razoáveis, o trigo, o milho, a mandioca, o gado, as frutas e legumes. A produção excedente era vendida no mercado interno colonial possibilitando recursos para o pagamento dos tributos reais (Espanhol) e para a compra de bens que a comunidade não produzia.
A economia se baseava em dois modelos de organização: o “abambaé”, originário dos costumes tribais, que era a lavoura familiar; e o “tupambaé”, que era o trabalho comunitário de lavoura e criação realizado nas propriedades coletivas e dirigido pelos padres.
A estância de criação de gado da Redução de Santo Ângelo, situava-se na margem esquerda do rio Ibicuí, terras hoje pertencentes ao município de Alegrete. Porém, pouco se dedicava a esta atividade, tendo o suficiente para o consumo de sua população, que em 1753 atingiu o máximo de sua estatística demográfica: 5.417 pessoas.
Além do padre Diogo Haze, constam alguns registros de nomes que estiveram à frente dos trabalhos deste Povo: Pe Diogo Claret,Pe Bartolomeu Piza, Pe Antonio Planes, Pe Salvador Conde, Pe Gregório Haffe, Pe Julião Lizardi, Pe José Martin, Pe João Batista Marquesetti e Pe João Batista Gilge. O número de padres não passava de dois para cada Redução, sendo um cura (denominação espanhola dada ao vigário ou mentor espiritual) e um padre ajudante.

O Repovoamento

Em 1831, tem início a reocupação da região. A primeira solicitação de sesmaria próxima às ruínas da antigo redução de Santo Ângelo foi de iniciativa do paulista Francisco de Paula e Silva, seguida de outros paulistas, goianos e paranaenses. A doação destes lotes garantia a posse e fixação deste território, sempre ameaçando de novas invasões.

A Emancipação

Após 14 anos de sucessivas construções e desenvolvimento econômico e social da Freguesia de Santo Ângelo, esta foi elevada à Vila, através da Lei nº 835 de 22 de março de 1873, emancipando-se do município de Cruz Alta.
As reuniões políticas para tão festejada conquista se davam na casa de Bento Rolim de Moura, localizada onde hoje se encontra o Clube Gaúcho.
Foi também no sólido casarão que se deu, em 31 de dezembro de 1874, a instalação oficial do município e a posse da 1ª Câmara Municipal que passou a administrar a Vila: João Cardoso de Aguiar, João Ernesto Kruel, Joaquim da Silva Lourega, Felisberto da Silveira Marques, Serafim Cardoso Duarte de Medeiros, Jão Francisco de Almeida e Damaso Ribeiro Nardes.
A última Câmara dissolveu-se após a Proclamação da República, por ato do governo do estado e nessa ocasião, foram nomeados os cidadãos Francisco de Souza Ribeiro Dantas Filho, João Antônio Rodrigues e Ernesto Kruel para governarem o município. Este colegiado era denominado Junta Municipal e atuou de 21 de março de 1890 até 1892.

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